“Então eu recomeço.
Recomeço, já que acreditei poder terminar…
Recomeço, até porque acreditei poder terminar.”
Assim Lacan começa o seminário do dia 13 de novembro de 1973. Les non-dupes errent.
Assim recomeço o ano de 2026 na AEPM. Nem tudo é novo e tudo será novo. Contrariando Freud e Lacan, quem sabe poderemos fazer com que o novo seja de novo bem-vindo?
O que somos como efeito de saber? Esse é o fio a seguir. Aliás, Lacan o seguiu até o final do seminário De um Outro ao outro.
Como efeito de saber, somos cindidos em S barrado e objeto a. Não existe “o si mesmo”. Somos causa de nós mesmos.
Lacan avança cada vez mais na direção de uma escrita da psicanálise. Uma escrita, tal como a da matemática e da lógica, isto é, feita de letras. No seminário que acabamos de atravessar, ele nos provou ser isso possível para a psicanálise. Atingir um saber e poder escrevê-lo literalmente.
Mas e a verdade? Onde fica aquela que fala quando priorizamos a escrita do saber?
Como estabelecer a relação entre o inconsciente estruturado como uma linguagem e o inconsciente como alíngua (lalangue)?
O que é o nó borromeano escrito por Lacan como Real, Simbólico e Imaginário? Como podemos nos utilizar dele?
Este ano percorreremos as trilhas que nos confrontarão com as formulações lacanianas sobre saber, verdade, alíngua (lalangue) e os nós.
Certamente temos muito com que lidar para atravessarmos o Seminário 21.
Acredito que a fórmula de funcionamento através dos cartéis será fundamental diante do muito que temos a estudar.
Os cartéis com seis elementos, entretanto, provaram não funcionar. Assim, procuraremos evitá-lo.
Este ano, a visada dos textos escolhidos mira nas questões que, acredito, junto com o seminário, podem dar uma guinada no nosso rumo. Precisamos ao menos de uma bússola no mar de altas vagas, vento forte, calmarias exasperantes!
Repito. Não há nada de novo e tudo poderá ser novo. Estaremos em posição de dar as boas-vindas ao que é novo, de novo?