Se tem formação, tem falha

Márcia Belfort

Ando às voltas com inquietudes que decorrem de situações institucionais muito recentes e muito vívidas. Uma será tomada como ponto de partida, para que seja feito o registro, neste escrito, do que me foi surgindo e se desdobrando, à medida que seu frescor foi maturando em palavras, desembocadas numa sessão de análise.

As atividades de 2025 foram encerradas. Os membros da AEPM foram se retirando, um a um, até que restassem apenas três, que ficaram em nossa sede, sob a coordenação de um quarto membro, Polliana Jurique, nossa Coordenadora de Secretaria, ultimando providências para restabelecer uma organização compatível com o rastro deixado pelas merecidas comemorações.

Sendo assim, era de se esperar que nossa incumbência não fosse levada a termo sem o esforço consequente daqueles dias, que foram tão intensos. Ela certamente nos exigiria um pouco mais de cansaço.

Assim poderia ter sido, mas não foi. O que presenciei, naquela oportunidade, foi o engate do nosso entusiasmo no arremate do nosso compromisso. Em lugar de indisposição ou má vontade, o que entrou, na feitura da tarefa, foi a possibilidade de permanecermos juntos na alegria, sem precisar recorrer a uma promiscuidade de algazarra.

E olha que tivemos motivos para dar boas gargalhadas, pois não havia espaço para risos contidos, onde fatos curiosos e engraçados pediam passagem para acontecer, de modo espontâneo, naquele instante final.

Ao término do trabalho, desligamos as luzes, fechamos as portas, pegamos o elevador e tomamos, cada um, o seu rumo. Num dado momento, estávamos todos juntos. No momento seguinte, todos se foram para direções diferentes, cuidar de interesses distintos.

E agora, no nosso retorno para as atividades do ano que se inicia, somos cutucados, por Alayde, com palavras de abertura, que falam sobre errância e direcionamento. Palavras que me surpreendem porque era por essa trilha que eu tentava encaminhar a situação que acabo de detalhar.

Em nossa formação, haveremos de suportar certas errâncias. Ou, melhor dizendo, errâncias incertas. O que, de modo algum, inviabiliza nossas possibilidades de estabelecer direcionamentos que digam respeito ao nosso funcionamento institucional e aos quais devemos tentar nos manter submetidos.

Isto inclui ir e retornar, terminar e começar de novo. E não necessariamente numa dada sequência de apresentação. Sendo oportuno também incluir, nesse tabuleiro de contraposições, o movimento de aproximação e afastamento, ao qual, neste momento, me parece cabível uma precisão: nem tão afastado, ao ponto de produzir uma vigilância asséptica e paranóica, e nem tão próximo, de modo a nos tornar presas fáceis de nossas tendências aglutinadoras constitutivas.

Já nos basta que, no meio do caminho, um percurso esteja salpicado de insistentes idealizações, que impelem no sentido da busca por uma justa medida que poderia nos acudir no modo preventivo, tão silenciosamente deletério quanto é devidamente protocolar o modo avião.

Nossa formação, por assim dizer, corre no fio da navalha porque sofre a insidiosa incidência dos sulcos das falhas. O tempo todo.