{"id":1106,"date":"2025-03-13T14:28:05","date_gmt":"2025-03-13T14:28:05","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=1106"},"modified":"2026-02-06T11:11:32","modified_gmt":"2026-02-06T11:11:32","slug":"proposta-de-funcionamento-feita-a-associacao-escola-de-psicanalise-do-maranhao-aepm-em-17-de-janeiro-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2025\/03\/13\/proposta-de-funcionamento-feita-a-associacao-escola-de-psicanalise-do-maranhao-aepm-em-17-de-janeiro-de-2025\/","title":{"rendered":"Proposta de funcionamento feita \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Escola de Psican\u00e1lise do Maranh\u00e3o &#8211; AEPM em 17 de janeiro de 2025"},"content":{"rendered":"<p>Primeiramente, duas observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>O texto possui in\u00fameras cita\u00e7\u00f5es e muitas refer\u00eancias, tanto aos Semin\u00e1rios quanto aos Escritos de Lacan. Nem todas est\u00e3o aspeadas e indicadas, mas voc\u00eas t\u00eam leitura suficiente para reconhec\u00ea-las.<\/p>\n<p>Todas as partes em negrito ou sublinhadas n\u00e3o est\u00e3o assim nos textos de origem.<\/p>\n<p><strong>Proponho continuar seguindo a Proposi\u00e7\u00e3o de Lacan<\/strong><\/p>\n<p>Este ano proponho p\u00f4r \u00e0 prova uma das grandes inven\u00e7\u00f5es de Lacan para o funcionamento institucional, com a qual \u00e9 poss\u00edvel pensar uma solu\u00e7\u00e3o para o paradoxo do ensino e transmiss\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o do psicanalista.<\/p>\n<p>Na Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola, Lacan nos adverte que <em>\u201cexiste um real em jogo na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do psicanalista\u201d<\/em>. Real que \u00e9 desconhecido e que produz sistematicamente sua nega\u00e7\u00e3o nas sociedades de forma\u00e7\u00e3o dos analistas que vigoravam at\u00e9 que Lacan fundasse sua Escola. As sociedades psicanal\u00edticas trabalhariam no sentido de recobrir o real e, assim, anular na forma\u00e7\u00e3o institucional o que houvesse de avan\u00e7o na an\u00e1lise do analista em forma\u00e7\u00e3o. <em>\u201cRemediar isso, entre n\u00f3s, deve ser feito pela constata\u00e7\u00e3o da falha que registro, longe de pensar em encobri-la. Mas para colher nessa falha a articula\u00e7\u00e3o que falta.\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 uma forma\u00e7\u00e3o que porta um imposs\u00edvel. O real do objeto <em>a, <\/em>pelo qual o gozo retorna, est\u00e1 em jogo a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Como tratar a quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7o pensando separadamente cada uma, para fins de exposi\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o e o ensino da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O inconsciente n\u00e3o \u00e9 ensinado nem transmitido apenas a partir de seus conceitos. Definir o inconsciente \u00e9 fundamental, acreditar-se sabendo do que se trata a partir de uma defini\u00e7\u00e3o conceitual, \u00e9 estar fora da psican\u00e1lise. \u00c9 importante n\u00e3o esquecer de que se trata de uma pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>\u00c9 assim desde Freud. Ao escrever sobre \u201cA quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga\u201d em 1926, ele recomenda aos que quisessem se tornar analistas, que se submetessem ao tratamento psicanal\u00edtico. S\u00f3 ent\u00e3o, eles teriam como saber o que \u00e9 o inconsciente operando em sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise daquele que se prop\u00f5e a advir analista \u00e9 chamada de did\u00e1tica. Nela, h\u00e1 algo que se transmite, mas n\u00e3o h\u00e1 ensino. A partir de Lacan, a experi\u00eancia de uma an\u00e1lise &#8211; did\u00e1tica ou n\u00e3o &#8211; \u00e9 a mesma. Ele disse que n\u00e3o h\u00e1 nada nelas que as diferenciem, a n\u00e3o ser a decis\u00e3o de um sujeito de se submeter a uma an\u00e1lise at\u00e9 o seu t\u00e9rmino. No livro \u201cUma temporada com Lacan\u201d de Pierre Rey, ele nos conta que, numa determinada situa\u00e7\u00e3o, quando Lacan era seu analista, este lhe disse que ele estava totalmente autorizado a intervir como analista, embora sua an\u00e1lise n\u00e3o fosse uma an\u00e1lise did\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201c<em>O psicanalista s\u00f3 se sustenta se n\u00e3o tiver contas a ajustar com o seu ser\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> O percurso do sujeito na an\u00e1lise vai lev\u00e1-lo ao ponto que Lacan nomeia de destitui\u00e7\u00e3o subjetiva. Fato que afastaria os incautos, caso no bilhete de entrada estivesse escrito o que se daria em sua sa\u00edda.<\/p>\n<p>Num percurso de an\u00e1lise, paga-se com seu \u201cpeda\u00e7o de carne\u201d, e cada um tem o vislumbre do pre\u00e7o a pagar.\u00a0 Lacan fala bastante sobre isso. Em uma de suas elabora\u00e7\u00f5es, ele diz:<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>[&#8230;]<em> as puls\u00f5es mitificam o real, aquilo que produz o desejo, reproduzindo nele a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o objeto perdido. N\u00e3o faltam objetos que passam por lucros e perdas para ocupar seu lugar. Mas \u00e9 em n\u00famero limitado que eles podem desempenhar um papel que se simbolizaria da melhor maneira poss\u00edvel pela automutila\u00e7\u00e3o do lagarto, por sua cauda desprendida com desola\u00e7\u00e3o. Desventura do desejo nas sebes do gozo, espreitadas por um deus maligno. <\/em><\/p>\n<p><em>Esse drama n\u00e3o \u00e9 o acidente que se sup\u00f5e. \u00c9 da ordem da ess\u00eancia: porque <u>o desejo vem do Outro e o gozo est\u00e1 do lado da Coisa.<\/u>\u201d<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>No lugar do analisante h\u00e1 perda subjetiva, que se d\u00e1 em cada ato anal\u00edtico culminando nesse ato de advir ali como psicanalista. Ele se encontra muitas vezes com o lugar vazio do Outro, com a radicalidade de sua vida regida pelo objeto que <strong>o<\/strong> causa, por um desejo inomin\u00e1vel e indestrut\u00edvel. Numa an\u00e1lise h\u00e1 perda de gozo, restando um poss\u00edvel mais-de-gozar recuperado. Ao fim de uma an\u00e1lise, Lacan diz que do lado do analista h\u00e1 o des-ser. Ele se v\u00ea reduzido ao objeto causa de desejo, resto que rege a vida de cada um e ao qual ele emprestou o <em>semblant <\/em>ao ocupar, com o desejo de analista, seu <em>lugar<\/em> de analista. O sujeito cai de um lado no mesmo instante em que o objeto cai do outro lado. Como sujeito barrado, dividido, o analisante se encontra com sua \u201cess\u00eancia de sujeito\u201d, de ser falta, buraco turbilhonante por onde cada significante pode bater um, um, um. O sujeito \u00e9 <u>representado<\/u> por um significante. Para outro significante.<\/p>\n<p>O matema da fantasia indica que estarmos no mundo como seres falantes, \u00e9 estarmos submetidos \u00e0 perda, pre\u00e7o pago por nossa entrada na linguagem. Dependemos do desejo do Outro para ter um lugar neste mundo, e dependemos de nosso pr\u00f3prio percurso de perdas e ren\u00fancias para fazer nossa inscri\u00e7\u00e3o nele. Nossas boas-vindas, se forem dadas, ser\u00e3o ao nos tomarem e nos tornarem objetos. Objetos do desejo do Outro. O encontro com o lugar vazio, com o puro desejo, deixa cair esse objeto que acreditamos ser. Ser para o Outro e para o outro. Castra\u00e7\u00e3o. Na transfer\u00eancia, o analista ocupa o lugar de <em>semblant <\/em>desse objeto que, ao final, cai.<\/p>\n<p>H\u00e1 o \u201c<em>d\u00e9s\u00eatre<\/em>\u201d do lado do analista e a destitui\u00e7\u00e3o subjetiva do lado do analisante. Podemos ainda falar de dois lados? Sujeito barrado e objeto <em>a: <\/em>matema da fantasia. Este ato, este corte, mostra uma travessia sem transpasse da borda. Penso assim a nomeada travessia da fantasia.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, se uma an\u00e1lise leva algu\u00e9m a tornar-se psicanalista, foi para conclamar os analistas a darem provas disso que Lacan prop\u00f4s o passe. Mas, em 1978, ele chega mesmo a dizer que \u201c<em>Como posso pensar nisso agora, a psican\u00e1lise \u00e9 intransmiss\u00edvel. \u00c9 meio aborrecido. \u00c9 muito irritante que todo psicanalista seja for\u00e7ado <strong>\u2013 j\u00e1 que tem que ser for\u00e7ado<\/strong> \u2013 a reinventar a psican\u00e1lise\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Se h\u00e1 a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, ela se faz prioritariamente a partir da an\u00e1lise de cada um. Por que o analista precisa de uma forma\u00e7\u00e3o institucional que, segundo Lacan, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pode como deve garantir? E que, ao querer essa garantia, ele s\u00f3 possa <em>\u201cir mais al\u00e9m: tornar-se<\/em> <em>respons\u00e1vel pelo progresso da Escola, tornar-se psicanalista da pr\u00f3pria experi\u00eancia.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Em \u201cAlocu\u00e7\u00e3o sobre o ensino\u201d, proferida no encerramento do Congresso da EFP em 19 de abril de 1970, Lacan firma dire\u00e7\u00f5es importantes sobre o ensino; mais ainda, sobre o ensino da psican\u00e1lise. Pe\u00e7o a voc\u00eas que o leiam. Cito apenas algumas passagens, para efeito de encaminhamento de minha proposta a voc\u00eas.<\/p>\n<p>\u201c<em>Por que continuar\u00edamos surdos ao deslizamento que, mais ainda neste ano, impus ao saber, ao torn\u00e1-lo hom\u00f3logo ao gozo?\u201d &#8230; <\/em>Lacan havia mostrado que o saber \u00e9 um meio de gozo.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u201c<\/em>[&#8230;]<em> se o que se trata \u00e9 do que vem a ser analisado. Se o sabemos, por que n\u00e3o diz\u00ea-lo, dizer que sabemos, entenda-se? Resta saber se isso se ensina.\u201d <\/em>\u00a0Como ensinar o que n\u00e3o sabemos antes, saber que s\u00f3 adv\u00e9m no \u201capr\u00e8s-coup\u201d? \u00c9 da fala do analisante, submetido \u00e0 associa\u00e7\u00e3o livre, que o saber poss\u00edvel adv\u00e9m como verdade semi-dita, verdade que fala na voz daquele que a enuncia sem sab\u00ea-la.<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 pela <u>meia-volta<\/u> constitu\u00edda pelo discurso do analista, pelo discurso que assume seu lugar por ser de uma distribui\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 do discurso do mestre, prim\u00e1rio, que o saber chega ao lugar que designamos da verdade.\u201d \u00a0<\/em><\/p>\n<p>O discurso do mestre \u00e9 inaugural, isto \u00e9, ele nos mostra que o significante representa o sujeito para outro significante, e que dessa opera\u00e7\u00e3o cai um resto.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Quando o analisante se dirige ao analista, p\u00f5e em andamento a suposi\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um saber inconsciente, que \u00e9, na verdade, a pr\u00f3pria ex-sist\u00eancia do sujeito do inconsciente. O significante que o representa, nesta suposi\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 posto em rela\u00e7\u00e3o ao significante qualquer do <em>analista. <\/em>O matema da transfer\u00eancia indica que primeiro h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre dois significantes para que se estabele\u00e7a a rela\u00e7\u00e3o ao sujeito suposto saber.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Dois quartos de volta<em>, uma meia volta no discurso do mestre, <\/em>mostra em oposi\u00e7\u00e3o a ele, o discurso do analista, o \u00fanico discurso em que \u00e9 poss\u00edvel colocar o saber no lugar da verdade.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>\u201c<em>Pela rela\u00e7\u00e3o do saber com a verdade adquire verdade aquilo que se produz de significantes-mestres no discurso anal\u00edtico, e fica claro que a ambival\u00eancia daquele que ensina para o ensinado reside onde, por <strong>nosso ato<\/strong>, criamos caminho para o sujeito, ao lhe pedir que associe livremente (o que significa: que <strong>os <\/strong>fa\u00e7a mestres) aos significantes de seu percal\u00e7o&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p>Na transfer\u00eancia o analista agencia, do lugar de <em>semblant de objeto<\/em> <em>a<\/em>, com a convoca\u00e7\u00e3o da fala do analisante em associa\u00e7\u00e3o livre, a produ\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente, isto \u00e9, a produ\u00e7\u00e3o dos significantes-mestres. Aqueles que, como mestres, guiam a an\u00e1lise na travessia dos dizeres do analisante para que possa advir um dito que o ultrapassa e o coloca frente \u00e0 verdade. Aquele que ensina, o mestre, quem \u00e9 ele aqui? Qual \u00e9 a ambival\u00eancia daquele que ensina com o ensinado? De onde v\u00eam os significantes-mestres? O ensinado n\u00e3o o ser\u00e1 sem que um analista esteja no lugar do <em>semblant <\/em>de a, lugar que agencia o discurso do analista. No entanto, quem o profere \u00e9 o sujeito.<\/p>\n<p><em>\u201cEssa produ\u00e7\u00e3o, a mais louca por n\u00e3o ser <\/em>ensin\u00e1vel<em>, como muito bem experimentamos, nem por isso nos libera da hipoteca do saber.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMuito pelo contr\u00e1rio, <strong>o saber faz a verdade de nosso discurso<\/strong>.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cNosso discurso n\u00e3o se sustentaria se o saber exigisse a intermedia\u00e7\u00e3o do ensino. Da\u00ed o interesse <strong>do antagonismo que enfatizo aqui entre ensino e saber<\/strong>. N\u00e3o obstante, \u00e9 sobre a <strong>rela\u00e7\u00e3o entre o saber e a verdade<\/strong> que nosso discurso levanta a quest\u00e3o, por n\u00e3o poder resolv\u00ea-la sen\u00e3o pelos caminhos da ci\u00eancia, isto \u00e9, pelo saber do mestre.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Lacan substitui ensino e saber por verdade e saber. Ele promover\u00e1 e mover\u00e1 um colossal conhecimento advindo da ci\u00eancia, dos avan\u00e7os da lingu\u00edstica, da l\u00f3gica matem\u00e1tica, da topologia etc., para formular a teoria psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p><em>&#8230; \u201c\u00c9 nisso que a maneira como a verdade se formaliza na ci\u00eancia, ou seja, a <strong>l\u00f3gica formal, \u00e9 para n\u00f3s um ponto visado<\/strong>, <strong>por termos que estend\u00ea-la \u00e0 estrutura da linguagem. Sabe-se que est\u00e1 a\u00ed o n\u00facleo de onde procede meu discurso<\/strong>.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>A import\u00e2ncia da l\u00f3gica em sua formaliza\u00e7\u00e3o deve ser lida aqui como uma convoca\u00e7\u00e3o a que nos dediquemos a ela. Estende-la \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o da linguagem, como Lacan fez, por exemplo, ao formular os quatro discursos, faz avan\u00e7ar a possiblidade de um discurso sem palavras, formalizado nas letras.<\/p>\n<p><em>\u201c&#8230; que o grafo, onde quer que prospere, s\u00f3 tenha sido produzido por ser importado do discurso do psicanalista&#8230; <\/em><\/p>\n<p>&#8230;<em> \u201cIsto \u00e9, dali onde <strong>o ato ordena<\/strong> que a causa do desejo seja o agente do discurso. <strong>O <\/strong><\/em><strong>que<em> me salva do ensino \u00e9 o ato<\/em><\/strong><em>&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente, e \u00f3bvio, que a formaliza\u00e7\u00e3o do grafo do desejo s\u00f3 poderia ter sido feita a partir do desejo do psicanalista.<em> \u00a0<\/em>N\u00e3o \u00e9 por acaso que \u00e9 com o grafo que Lacan mostra a \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e a dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. Ele foi abundantemente usado e abusado pelos disc\u00edpulos e detratores de Lacan. No entanto, o que os captura, como a n\u00f3s quando trabalhamos com ele nos Semin\u00e1rios \u201cAs forma\u00e7\u00f5es do inconsciente\u201d e em \u201cO desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 seu car\u00e1ter de ato, perpetrado por um sujeito a partir do desejo que o causa.<\/p>\n<p><em>&#8230; \u201cO que realmente me cabe acentuar \u00e9 que, ao se oferecer ao ensino, o discurso psicanal\u00edtico leva o psicanalista \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do psicanalisante, isto \u00e9, a n\u00e3o produzir nada que se possa dominar, malgrado a apar\u00eancia, a n\u00e3o ser a t\u00edtulo de sintoma.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Portanto, quando o psicanalista est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o de ensino, ela equivale \u00e0 do analisante. E o ensino da psican\u00e1lise, a partir desta posi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode ser transmitido de um sujeito para outro. Quando nos propomos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, quando desbravamos esse campo de saber, estamos a\u00ed, cada um, com seu sintoma.<\/p>\n<p><em>\u201cPor isso \u00e9 que <u>medeor<\/u><\/em><u><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/u><em>seria o termo certo para aquilo que dele se autoriza, se nada se pudesse designar a\u00ed como meio sen\u00e3o a voz com que ele opera, apenas para confessar a falha irremedi\u00e1vel de o psicanalisante n\u00e3o estar \u00e0 altura do que dele cai de psicanalisado.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A coragem de sustentar teoricamente o que adv\u00e9m da sua an\u00e1lise, e a coragem de admitir que nenhuma teoria foi realmente apreendida sem que tivesse atravessado cada um em sua an\u00e1lise.<\/p>\n<p><em>\u201cA verdade pode n\u00e3o convencer, o saber passa em ato.\u201d<\/em><\/p>\n<p>No Ato<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> de Funda\u00e7\u00e3o, em 21 de junho de 1964, ao criar a Escola Francesa de Psican\u00e1lise, Lacan j\u00e1 formula o que se distingue a\u00ed por ser ensino. \u201cO <strong>ensino<\/strong> da psican\u00e1lise s\u00f3 pode ser <strong>transmitido<\/strong> \u2013 <strong>de um sujeito a outro \u2013 sob uma transfer\u00eancia de trabalho<\/strong>. A psican\u00e1lise \u00e9 em ato. Compete a cada um dar testemunho disso na produ\u00e7\u00e3o de um saber, <strong>no testemunho das falhas e crises<\/strong> que se d\u00e3o neste processo.\u201d<\/p>\n<p>Lacan inventa a forma\u00e7\u00e3o do cartel, cardo. Palavra latina que quer dizer dobradi\u00e7a. Dobradi\u00e7a como lugar de circula\u00e7\u00e3o do saber da psican\u00e1lise<strong>. Um cartel \u00e9 feito de cada um e suas falhas<\/strong>. Ele \u00e9 o instrumento criado por Lacan para a produ\u00e7\u00e3o do saber que pode ou n\u00e3o se dar em ato na institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica. Lacan \u00e9 expl\u00edcito ao escrever que <em>\u201cnada se poupar\u00e1 para que tudo o que fa\u00e7am de valioso tenha a repercuss\u00e3o que merecer no lugar que lhe convenha\u201d.<\/em><\/p>\n<p>De um empreendimento de forma\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o se far\u00e3o conhecer as crises e a dissolu\u00e7\u00e3o. A dissolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o encontrada por ele para impedir o efeito de colamento de grupo. Para que n\u00e3o se colem mais ainda!<\/p>\n<p>Ao considerarmos que <em>cada um<\/em> se enla\u00e7a no cartel a partir do sintoma que o faz um, podemos acreditar que ali se engendra uma chance de que o real que est\u00e1 em jogo na forma\u00e7\u00e3o do analista percorra o trabalho do cartel e que a produ\u00e7\u00e3o de significantes possa se dar. N\u00e3o sempre, n\u00e3o o tempo todo, mas sim quando uma fala <strong>verdadeira<\/strong> faz uma enuncia\u00e7\u00e3o que se deixa vir ali.<\/p>\n<p>O cartel \u00e9 o lugar <em>priorit\u00e1rio <\/em>na forma\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>Melhor dizendo, lugar deforma\u00e7\u00e3o do analista. N\u00e3o h\u00e1 lugar para o ganho cumulativo de conhecimento, de saberes. Ele \u00e9 lugar de perda. Perdas narc\u00edsicas, sem d\u00favida, mas tamb\u00e9m perda do que cai a cada vez que um dizer \u00e9 dito em ato. O sujeito n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, \u00e9 verdade, mas o objeto que o causa pode vir operar a apari\u00e7\u00e3o de novos significantes. \u201c[&#8230;] que cada um ponha a\u00ed algo de seu.\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Lacan, ao falar sobre a experi\u00eancia do passe, declara nunca haver falado de forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, mas sim das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente.<\/p>\n<p>O passe, como eu disse anteriormente, foi outra inven\u00e7\u00e3o de Lacan. Esta, para resolver a quest\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o dos analistas; que eles pudessem dar testemunho de que uma an\u00e1lise pode levar algu\u00e9m ao lugar de analista. Teoricamente, Lacan o provou nas formula\u00e7\u00f5es do Semin\u00e1rio do Ato Psicanal\u00edtico.<\/p>\n<p>Nossa institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem como dar suporte ao passe. Mas tem como levar a s\u00e9rio (serial) os cart\u00e9is. Se o cartel funcionar eliminando a pregn\u00e2ncia narc\u00edsica, quer na exibi\u00e7\u00e3o de um saber, quer na tentativa de transform\u00e1-lo num lugar de ensino, ent\u00e3o ele poder\u00e1 estar aberto a que cada um fale ali livremente sobre sua leitura do texto, que no cartel \u00e9 pretexto para um encontro com os outros. Seu ponto de vista, quer dizer, o que se leu no que foi lido, deve ser dito. Cada um. Ningu\u00e9m l\u00ea a mesma coisa. N\u00e3o sendo um lugar de mestria, o saber no lugar da verdade para cada um permite essa jun\u00e7\u00e3o um a um, que n\u00e3o sendo grupal, pode ser um coletivo.<\/p>\n<p>Ao falar do coletivo em \u201cO tempo L\u00f3gico\u201d, Lacan diz que \u201c<em>nessa corrida para a verdade, \u00e9 apenas sozinho, n\u00e3o sendo todos, que se atinge o verdadeiro, ningu\u00e9m o atinge, no entanto, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s dos outros.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Lembrando que \u201c<em>n\u00e3o h\u00e1 homossemia<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><em> entre o \u00fanico (le seul) e s\u00f3 (seul)\u201d. (discurso a E.F.P.). <\/em>N\u00e3o somos os \u00fanicos a estar s\u00f3.<\/p>\n<p>A aposta relativa ao ensino e transmiss\u00e3o est\u00e1 feita nos cart\u00e9is e o ponto nodal nos cart\u00e9is \u00e9 o \u201cmais-um\u201d.<\/p>\n<p>A MAIS UMA, quando foi escrita no Ato de Funda\u00e7\u00e3o da Escola Freudiana de Paris, em 1964, estava referida \u00e0 teoria do<em> \u201cUm-a-mais<\/em> no sujeito na psican\u00e1lise\u201d, da qual Lacan nos fala nos Escritos, nos textos \u201cO tempo l\u00f3gico\u201d e em \u201cSitua\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o do psicanalista em 1956\u201d. Nas \u201cJornadas sobre os Cart\u00e9is\u201d, em 1975, Lacan retorna a esta formula\u00e7\u00e3o para dizer que ele \u201ca antecipara sobre algo que agora tentava articular sob a forma do n\u00f3 borromeano\u201d.<\/p>\n<p><em>\u201cx+1 \u00e9 precisamente o que define o n\u00f3 borromeano, e \u00e9 a partir de reiterar esse 1 \u2013 que no n\u00f3 borromeano \u00e9 qualquer um \u2013 que se obt\u00e9m a individualiza\u00e7\u00e3o completa, ou seja, que do que sobra \u2013 a saber, do x em quest\u00e3o- n\u00e3o h\u00e1 mais que um por um.<\/em><\/p>\n<p>[&#8230;]<em> esse um, que parece sempre poss\u00edvel como enla\u00e7ando toda a cadeia individual, como conceb\u00ea-lo? Certamente eu disse coisas sobre (o que Martin acaba de evocar, quer dizer) o \u201cum a mais\u201d. Na \u00e9poca eu o tinha tratado sob a forma do que constitui o sujeito, que \u00e9 sempre um \u201cum a mais\u201d\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Outro ponto muito importante que sublinho neste texto \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Lacan, confirmando ao Sibony, que \u201c<em>\u00c9 justamente disso que se trata. De que cada um imagine ser respons\u00e1vel pelo grupo, ter que responder como tal.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Ele n\u00e3o imagina sem motivo, j\u00e1 que, de fato, aquilo que faz o n\u00f3 borromeano est\u00e1 submetido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de que cada um seja <strong>efetivamente<\/strong>, e n\u00e3o s\u00f3 imaginariamente, o que sustenta todo o grupo. <\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, o que se trata de mostrar n\u00e3o \u00e9 at\u00e9 que ponto \u00e9 verdadeiro, mas at\u00e9 que ponto \u00e9 real, ou seja, quais s\u00e3o as formas de n\u00f3 capazes de sustentar efetivamente esse real que faz com que, ao romper-se um aro, isso seja suficiente para liberar todos os outros\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Percebemos, ent\u00e3o, que pela sua pr\u00f3pria estrutura, o cartel depende de cada um de seus membros para que exista como cartel propriamente dito. O mais-um, <strong>se n\u00e3o recusar seu lugar<\/strong> de exce\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 o piv\u00f4 a partir do qual far\u00e1 girar sobre o um a um, tanto a responsabilidade quanto o compromisso de cada um<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>; n\u00e3o s\u00f3 com o seu cartel, e sim com a forma\u00e7\u00e3o que cada um pretende garantir na institui\u00e7\u00e3o que cada um deve sustentar.<\/p>\n<p>Os cart\u00e9is abrem na institui\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de um saber produzido \u201caos peda\u00e7os\u201d, por cada um. \u00c9 uma grande possibilidade de se encontrar com um saber que n\u00e3o se fecha, que n\u00e3o \u00e9 todo, que n\u00e3o reduz tudo ao sentido. Trata-se de um lugar onde o sujeito pode se encontrar com suas falhas, seus erros, seus dizeres retos ou tortos, porque um cartel n\u00e3o \u00e9 apenas um lugar onde se fala, mas tamb\u00e9m onde se encontra aqueles que est\u00e3o verdadeiramente interessados em escutar as elabora\u00e7\u00f5es uns dos outros.<\/p>\n<p>A minha proposta para o funcionamento da AEPM em 2025 \u00e9 a de apostar nos cart\u00e9is.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola em Outros Escritos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, Semin\u00e1rio 17, p\u00e1g. 178.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, \u201cDo Trieb de Freud ao desejo do analista\u201d, Escritos, p\u00e1g.867.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1108\" src=\"https:\/\/aepm.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/4.png\" alt=\"\" width=\"119\" height=\"55\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1109\" src=\"https:\/\/aepm.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/5.png\" alt=\"\" width=\"138\" height=\"92\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1110\" src=\"https:\/\/aepm.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/6.png\" alt=\"\" width=\"139\" height=\"119\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Medeor, eris eri [*med- \u201cpensar, medir, julgar, tratar (um doente),,] i. dep.1.cuidar de; tratar. 2. Dar rem\u00e9dio a; remediar; medicar; curar. Dicion\u00e1rio Latino Portugu\u00eas por Francisco Torrinha; Gr\u00e1ficos Reunidos Lda &#8211; Porto<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Ata e ato em franc\u00eas se escrevem acte.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Senhor A, p\u00e1g.54, Documentos para uma Escola.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Homossemia &#8211; \u00e9 um termo que se refere \u00e0 identidade de significado entre duas ou mais palavras. Quando a homossemia \u00e9 total, as palavras s\u00e3o sin\u00f4nimas, \u00e9 uma esp\u00e9cie de sinon\u00edmia perfeita. Ocorre quando as formas t\u00eam a mesma identidade de significado. Exemplo: Pedro vende vinho e o vinho \u00e9 vendido por Pedro. Ela tamb\u00e9m pode ser parcial, conhecida como parasinon\u00edmia. Ocorre quando dois ou mais elementos do conjunto significante est\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o disjuntiva. A homossemia \u00e9 o oposto da polissemia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Aqui temos que ter muito cuidado com a ideia de que a fun\u00e7\u00e3o do mais um pode circular. Como Lacan deixa claro, a fun\u00e7\u00e3o s\u00f3 circula se o lugar do mais um estiver ocupado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiramente, duas observa\u00e7\u00f5es: O texto possui in\u00fameras cita\u00e7\u00f5es e muitas refer\u00eancias, tanto aos Semin\u00e1rios quanto aos Escritos de Lacan. Nem todas est\u00e3o aspeadas e indicadas, mas voc\u00eas t\u00eam leitura suficiente para reconhec\u00ea-las. Todas as partes em negrito ou sublinhadas n\u00e3o est\u00e3o assim nos textos de origem. Proponho continuar seguindo a Proposi\u00e7\u00e3o de Lacan Este ano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13,12],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1106"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1163,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions\/1163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}