{"id":1204,"date":"2026-05-06T13:11:31","date_gmt":"2026-05-06T13:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=1204"},"modified":"2026-05-06T13:13:05","modified_gmt":"2026-05-06T13:13:05","slug":"o-horizonte-e-o-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2026\/05\/06\/o-horizonte-e-o-sexual\/","title":{"rendered":"O horizonte \u00e9 o sexual"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOnde quer que estejamos, onde quer que <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">funcionemos, pela fun\u00e7\u00e3o do saber <\/span><\/p>\n<p>estamos no horizonte do sexual.\u201d (Jacques Lacan)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No cap\u00edtulo XIII do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Semin\u00e1rio 16<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, Lacan se refere ao <\/span>campo<span style=\"font-weight: 400;\"> psicanal\u00edtico e diz que alguma coisa se inscreve como seu horizonte, e \u00e9 o sexual. Achei uma maneira nova e diferente de falar do sexual. Quando nos referimos ao horizonte, dizemos no sentido figurado, que este significa perspectiva, nos referimos comumente ao horizonte como algo que est\u00e1 distante, \u201cuma linha aparente na qual observamos que o c\u00e9u parece tocar a terra ou o mar\u201d. Achei isso t\u00e3o interessante, aproximar o horizonte do sexual. E, ao mesmo tempo, o que isso nos traz de novo? Qual o alcance dessa frase?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan nos chama a aten\u00e7\u00e3o acerca do que talvez precisamos reter no campo psicanal\u00edtico. \u201c\u00c9 em fun\u00e7\u00e3o desse horizonte, mantido como tal, que as puls\u00f5es se inserem em sua fun\u00e7\u00e3o de aparelho\u201d. N\u00e3o acho que essas quest\u00f5es sejam simples de desenvolver, e tento ir com prud\u00eancia, conforme Lacan nos diz nesse cap\u00edtulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que me interroga de novo \u00e9 o sexual, e n\u00e3o \u00e9 o que sempre nos interroga? Com Freud, passamos a saber de uma coisa: que somos seres falantes e sexuais, e que, por conta disso, adoecemos! Falar do sexual, e do quanto a Psican\u00e1lise se interessa por isso, j\u00e1 \u00e9 algo sabido, sendo inclusive um ponto de cr\u00edtica feita por aqueles, que ao contr\u00e1rio do que pensam, sentem-se tocados de alguma forma pela Psican\u00e1lise. \u201cTudo para a Psican\u00e1lise \u00e9 sexual!\u201d. Sim! Lacan diz que estamos nisso em cheio e preocupados, estamos nisso em todos os campos do saber.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan nos fala acerca do saber e diz que ainda que exista um saber da Psican\u00e1lise, a Psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um saber do sexual.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuem foi que aprendeu, na psican\u00e1lise, a saber tratar bem sua mulher?\u201d<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">(p. 199). Lacan destaca a prud\u00eancia com a qual introduz suas assertivas e diz: \u201cfalei de <\/span><em>horizonte<\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, falei de <\/span><em>campo<span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span>n\u00e3o falei de ato sexual<\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (p. 202). E, ainda que a sexualidade constitua um horizonte, \u201csua ess\u00eancia est\u00e1 muito mais longe ainda\u201d (p. 215).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste cap\u00edtulo, Lacan nos diz: no inconsciente, enuncia-se uma verdade que tem a propriedade de nada podermos saber dela, e escreve: \u201csaber sobre a fun\u00e7\u00e3o de verdade-menos-saber deve dar-nos a verdade sobre o saber\u201d (p. 198).<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Que pode significar esse saber cuja marca, num certo n\u00edvel de verdade que se articula, define-se como sendo aquilo que menos sabemos, esse saber que nos preocupa?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isso me fez lembrar do livro do Jean Berg\u00e9s e do Gabriel Balbo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A atualidade das teorias sexuais infantis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, especialmente da palavra atualidade, pois diante do que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber acerca do sexual, constroem-se teorias sexuais. Teve um tempo no qual eu achava que apenas as crian\u00e7as faziam teorias sexuais! Ledo engano! Fazemos teoria para darmos conta de um saber. \u201cQuem sabe?\u201d, nos interroga Lacan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A psican\u00e1lise descobriu que havia alguma coisa de articul\u00e1vel e articulada, montagens, \u201ce que literalmente n\u00e3o podem ser concebidas de outra maneira, algo que ela chama de puls\u00f5es\u201d (p. 201). Com Freud, aprendemos que falar de sexual \u00e9 falar das puls\u00f5es, estas tomadas aqui no sentido daquilo que Lacan chama de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">organon<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de um aparelho que se satisfaz. Lacan diz: a satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 da puls\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan fala da sublima\u00e7\u00e3o como sendo uma modalidade de satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o. De uma puls\u00e3o desviada de seu objetivo, a puls\u00e3o se satisfazendo fora de seu objetivo sexual. Diz ainda que a sublima\u00e7\u00e3o, no n\u00edvel pulsional, tem como seu primeiro prot\u00f3tipo a forma do guizo, \u201cuma coisa redonda com um trocinho, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">o objeto pequeno a,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que se agita fortemente em seu interior\u201d (p. 236). Isso me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, Lacan citar o guizo, esse objeto esf\u00e9rico que faz um som espec\u00edfico quando agitado, ele o aproximar do objeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. E o que isso quer dizer? E o que isso nos mostra? Pois Lacan est\u00e1 falando da sublima\u00e7\u00e3o, dessa puls\u00e3o que est\u00e1 desviada de seu objetivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan nos diz que nada \u00e9 mais f\u00e1cil do que ver a puls\u00e3o satisfazer-se fora de seu objetivo sexual, e nos pede para vermos a que isso leva, em todos os lugares em que, em torno da fun\u00e7\u00e3o sexual, organiza-se n\u00e3o o instinto, que ter\u00edamos bastante dificuldade de situar em algum lugar a partir de hoje, mas uma estrutura social. Eu nem consigo alcan\u00e7ar o que Lacan est\u00e1 dizendo nesse trecho, e em muitos outros, mas isso me fez lembrar dos adolescentes e de uma experi\u00eancia que tive h\u00e1 muitos anos como professora de educa\u00e7\u00e3o sexual. Hoje isso me faz rir: professora de educa\u00e7\u00e3o sexual! \u00c9 claro que essa experi\u00eancia teve data para terminar porque al\u00e9m de n\u00e3o ser poss\u00edvel \u201ceducar\u201d ningu\u00e9m quanto ao sexual, uma vez que n\u00e3o sabemos nada dele, tudo o que os adolescentes queriam, \u00e0 \u00e9poca, era falar sobre o sexual e fazer perguntas sobre isso.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Texto escrito, a partir do trabalho com o Semin\u00e1rio <em>De um Outro ao outro<\/em>, para a Intersec\u00e7\u00e3o Aepm e Cart\u00e9is Lacanianos. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Encontro, em julho de 2025, por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio de 30 anos da AEPM.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOnde quer que estejamos, onde quer que funcionemos, pela fun\u00e7\u00e3o do saber estamos no horizonte do sexual.\u201d (Jacques Lacan) &nbsp; No cap\u00edtulo XIII do Semin\u00e1rio 16, Lacan se refere ao campo psicanal\u00edtico e diz que alguma coisa se inscreve como seu horizonte, e \u00e9 o sexual. 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