{"id":1216,"date":"2026-05-05T17:05:23","date_gmt":"2026-05-05T17:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=1216"},"modified":"2026-05-05T17:05:23","modified_gmt":"2026-05-05T17:05:23","slug":"objeto-a-na-causa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2026\/05\/05\/objeto-a-na-causa\/","title":{"rendered":"Objeto a Na Causa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sustentado no imposs\u00edvel, no umbigo dos sonhos, Freud escreve os fundamentos das leis que governam o Inconsciente e assim come\u00e7a a fundamentar sua pr\u00e1tica cl\u00ednica. Mas como n\u00f3s podemos falar da pr\u00e1tica que opera sobre o imposs\u00edvel? Freud quer algo al\u00e9m da<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">divis\u00e3o, da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Spaltung, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">o que n\u00e3o seja pura redu\u00e7\u00e3o de um imposs\u00edvel traduzido em entrave.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Inconsciente se abre para se fechar, como nos lembra Alayde. N\u00e3o se trata de dois tempos (o fechamento j\u00e1 \u00e9 a abertura). O que temos a ver com essa cl\u00ednica? \u00c9 ruptura da linearidade, desestrutura\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia. E o que n\u00e3o \u00e9 linear funciona de que forma? Existe <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">funcionamento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> inconsciente? \u00c9 admiss\u00edvel que algo possa estar sem necessariamente ser? Pois o Inconsciente n\u00e3o nasce, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9. Dessa forma, nossa defini\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">funcionamento <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o \u00e9 comum \u00e0 da maquinaria cient\u00edfica. Freud n\u00e3o procura, Freud acha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O imposs\u00edvel posto por Freud \u00e9 diferente e n\u00e3o pede para ser apreciado pelos limites da Raz\u00e3o, este imposs\u00edvel n\u00e3o intenciona escapar do redut\u00edvel que se inscreve na ci\u00eancia atrav\u00e9s da no\u00e7\u00e3o comum de impossibilidade. Freud n\u00e3o pretende a supera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 de se sustentar que haja outro imposs\u00edvel para Freud. Nossa causa, como Lacan coloca, n\u00e3o \u00e9 uma causa que est\u00e1 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">antes:<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> nossa causa \u00e9 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">depois. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan articula outra temporalidade no Escrito <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Tempo L\u00f3gico e a Asser\u00e7\u00e3o da Certeza Antecipada. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Com essa articula\u00e7\u00e3o, o 1\u00b0, o 1 n\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">est\u00e1 antes. \u00c9 <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">trabalhar com a causa olhando para frente. Freud escreve sobre o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">nachtr\u00e4glich<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o Mito se insere, como nos diz Alayde, para se situar no lugar do real. Com isso, o real n\u00e3o est\u00e1 recoberto, ele n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. O real \u00e9 irredut\u00edvel ao tempo e ao espa\u00e7o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Freud escreve: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Wo Es War Soll Ich Werden\u201d, \u201c<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Onde o Isso Era\/Estava, Eu Deve Advir\u201d <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">(Nova s\u00e9rie de li\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias \u00e0 Psican\u00e1lise, 1933).<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Mas falta local e hora que diga do evento desse Eu. O Eu ainda n\u00e3o est\u00e1, mas deve advir. Freud n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ato anal\u00edtico. Em qual dimens\u00e3o de espa\u00e7o esta opera\u00e7\u00e3o pode se sustentar? O que \u00e9 o Inconsciente para cada um? Que susto ainda tomamos quando Freud escreve \u201cO eu n\u00e3o \u00e9 mais senhor em sua pr\u00f3pria casa\u201d? Esse Eu que deve advir\u2026 Freud, assim como a l\u00edngua alem\u00e3, n\u00e3o tem ger\u00fandio. N\u00e3o h\u00e1 continuidade. O Inconsciente n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Wo Es War Soll Ich Werden<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d mostra o irredut\u00edvel, exp\u00f5e uma l\u00f3gica atemporal da qual Freud escreve em 1915.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com essa frase, o Eu e o Isso est\u00e3o suspensos, sem conclus\u00e3o. \u201cOnde o Isso era&#8230;\u201d. O Isso n\u00e3o nasce, o Eu n\u00e3o se estabelece, pois ele \u201cdeve advir\u201d. O Mito recobre a falta da origem. N\u00e3o h\u00e1 origem. Com a psican\u00e1lise, l\u00e1 onde a origem nunca esteve \u00e9 poss\u00edvel a sustenta\u00e7\u00e3o de uma falta radical, que Lacan nomeia como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">objeto<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, na causa. Inscri\u00e7\u00e3o do vazio? O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">objeto a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sacrif\u00edcio de uma opera\u00e7\u00e3o \u2013 posto para ser extra\u00eddo. Lacan avisa que isso n\u00e3o \u00e9 um fazer. O inconsciente n\u00e3o cabe no mundo da exist\u00eancia. O Ato cabe em que mundo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A divis\u00e3o segue mantendo o mito l\u00e1&#8230; N\u00e3o queremos nem saber. N\u00e3o h\u00e1 origem, nem objeto. Ele como causa \u00e9 um advento, artif\u00edcio da psican\u00e1lise lacaniana. Nesse ponto, sempre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Das Ding (A Coisa)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> colocada por Freud aparece\u2026 Mas e a\u00ed? Fazer o objeto passar no lugar da causa custa tudo. \u00c9 por isso que a maior Revolu\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 a freudiana, porque ela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">desmunda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise podemos fazer a s\u00e9rie dos psicanalistas com Lacan, mantendo Freud, este 1, no seu lugar paradoxal de origem. Freud \u00e9 cont\u00e1vel? Pensemos nas gera\u00e7\u00f5es de analistas: \u00e9 sempre necess\u00e1rio mais um, mais um, para confirmar os outros, infinitamente. Esse infinito \u00e9 importante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A interpreta\u00e7\u00e3o precisa n\u00e3o ter endere\u00e7o fixo, porque ela \u00e9 um engendramento, n\u00e3o um achado. Dora, Hans, a Jovem homossexual, o Homem dos Ratos, o Homem dos Lobos, etc., todos est\u00e3o suspensos como bal\u00f5es, por Freud e Lacan. Esses bal\u00f5es ainda est\u00e3o em an\u00e1lise. \u00c9 um dever mant\u00ea-los assim na Psican\u00e1lise. A Psican\u00e1lise faz a guarda do paradoxo do S<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, do 1. Sempre \u00e0s custas do 1 e de mais outro. A interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica s\u00f3 acontece uma vez, nunca de uma vez por todas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se aprende a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, ela n\u00e3o est\u00e1 nos livros, nem na melhor resposta de um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">software<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Em que condi\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel o Ato anal\u00edtico? Deve haver outro\u00a0 poss\u00edvel para que isso se articule, para que se articule do Isso ao Ato.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 onde alcan\u00e7o, parece que uma opera\u00e7\u00e3o (Ato Anal\u00edtico) faria o lugar do analista se <\/span>acoplar<span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e0 falta do Significante. A transfer\u00eancia \u00e9 o que invade a cadeia Significante. O lugar do analista \u00e9 na Transfer\u00eancia. Faz pensar no que Lacan fala do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Significante qualquer.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Estaria a\u00ed o princ\u00edpio do acoplamento? A transmiss\u00e3o de um n\u00e3o-saber pode ganhar lugar na Escans\u00e3o, atrav\u00e9s dessa invas\u00e3o da Transfer\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos pensar em dois infinitos. O primeiro desses infinitos est\u00e1 na transmiss\u00e3o da an\u00e1lise, que se propaga rumo ao infinito, na s\u00e9rie dos analistas com Lacan. O segundo desses infinitos sendo um tipo de resposta falha (cascata de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. O n\u00e3o-saber se articular\u00e1 em um tal ponto no infinito, quando esses dois infinitos se sobrepuserem? Fim da revela\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios do seu poder (1958) <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan afirma: \u201co analista pagar\u00e1 com sua pessoa, seja qual for o pre\u00e7o que lhe custe, esse pre\u00e7o \u00e9 o de sua falta\u201d. N\u00e3o se paga porque se quis. Querer pagar ou n\u00e3o pagar tamb\u00e9m s\u00f3 denuncia que a transfer\u00eancia poder seguir sem Ato, cr\u00f4nica? A Psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 para todos, porque ela s\u00f3 \u00e9 para cada um.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00e1tica opera com o imposs\u00edvel? Mas e o Ato, ele suspende o imposs\u00edvel?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agrade\u00e7o por um lugar nessa Institui\u00e7\u00e3o, pela dimens\u00e3o viva do Ato que tem por Significante AEPM, custeado por Alayde Martins. 1995 tamb\u00e9m agora.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto escrito para a Intersec\u00e7\u00e3o Aepm e Cart\u00e9is Lacanianos, a partir do trabalho com o Semin\u00e1rio <em>De um Outro ao outro<\/em>. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Encontro, em julho de 2025, por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio de 30 anos da AEPM.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sustentado no imposs\u00edvel, no umbigo dos sonhos, Freud escreve os fundamentos das leis que governam o Inconsciente e assim come\u00e7a a fundamentar sua pr\u00e1tica cl\u00ednica. Mas como n\u00f3s podemos falar da pr\u00e1tica que opera sobre o imposs\u00edvel? 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