{"id":336,"date":"2021-09-27T11:44:30","date_gmt":"2021-09-27T11:44:30","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=336"},"modified":"2022-08-21T23:25:31","modified_gmt":"2022-08-21T23:25:31","slug":"da-metafora-do-sujeito-a-coisa-freudiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2021\/09\/27\/da-metafora-do-sujeito-a-coisa-freudiana\/","title":{"rendered":"Da Met\u00e1fora do Sujeito \u00e0 Coisa Freudiana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como, na cadeia significante, de um significante (S1), a met\u00e1fora do sujeito, a outro significante (S2), a coisa freudiana, e s\u00f3 em retroa\u00e7\u00e3o, da coisa freudiana \u00e0 met\u00e1fora do sujeito, vem uma significa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na AEPM, ap\u00f3s trabalhar o texto <em>A Met\u00e1fora do Sujeito<\/em> (1961) iniciamos o trabalho com o texto <em>A coisa freudiana ou Sentido do retorno a Freud em psican\u00e1lise<\/em> (1955) num momento de virada, inclusive no nome do dispositivo, para <em>Trabalho de Estudo dos Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de Lacan com o retorno a Freud \u00e9 de retomar os fundamentos da psican\u00e1lise frente ao que a psican\u00e1lise havia chegado naquela \u00e9poca e, mostrando que esse \u00e9 o caminho para re-situar o lugar da psican\u00e1lise, tomar nas r\u00e9deas os fundamentos da psican\u00e1lise e da import\u00e2ncia que ele deu nos estudos de seus semin\u00e1rios ao retorno aos textos do Freud que, segundo suas palavras, deram a ele e aos que o seguiam a surpresa de verdadeiras descobertas, n\u00e3o de chegar ao sentido do retorno a Freud, mas da psican\u00e1lise marcada por seu pai, um retorno ao sentido de Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan nos mostra que a descoberta de Freud, do inconsciente, <em>\u201cquestiona a verdade, e n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o seja pessoalmente afetado pela verdade\u201d<\/em>. Questiona assim: <em>\u201cessa verdade, que \u00e9 ela?\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quest\u00e3o: a coisa freudiana \u00e9 a nossa verdade? Estamos acostumados a nos referir \u00e0 coisa como <em>das Ding<\/em>, mas em nenhum momento deste texto Lacan nomeia a coisa de <em>das Ding<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa fala de si mesma, mas como fala? A verdade se mostra, <em>\u201cali onde a fala mais cautelosa exibe um ligeiro trope\u00e7o\u201d<\/em>, ali algo se mostra como verdade, algo que tem a ver com a coisa freudiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a verdade fala \u00e9 uma mostra\u00e7\u00e3o, naquilo que s\u00e3o as pr\u00f3prias forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, nos atos falhos, nos sonhos, nos chistes, nos sintomas e nas lembran\u00e7as encobridoras, no que \u00e9 dito no discurso do ser falante, mostrados como trope\u00e7os, equ\u00edvocos, enigmas, que escapam sem que o sujeito o saiba, produzem-se numa dimens\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 a do eu nem a da consci\u00eancia, mostram o fracasso de um querer dizer e apontam para outra coisa, um sentido novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade disse de si mesma: \u201cEu falo\u201d, mas \u00e9 ao eu que devemos nos lan\u00e7ar t\u00e3o rapidamente? Lacan nos adverte: <em>\u201cPara reconhecermos esse [eu] no que ele fala, talvez n\u00e3o seja ao [eu] que devamos lan\u00e7ar-nos, mas antes deter-nos nas arestas do falar. N\u00e3o h\u00e1 fala sen\u00e3o de linguagem\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, a verdade eu falo! Eu falo metaforicamente no que desliza metonimicamente, como um esgoto que transborda e vai saindo, escoando, tamb\u00e9m como um vulc\u00e3o, um fogo interno que transborda e escorre pelas bordas. Verdade nunca encontrada, mas sempre buscada na repeti\u00e7\u00e3o, o que eu sou no desejo do Outro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o psicanalista? Lacan nos diz que \u00e9 aquele que pratica uma psican\u00e1lise, aquele que no lugar Outro deve tomar o discurso do sujeito ao p\u00e9 da letra, lembrando que a verdade fala e pode aparecer no trope\u00e7o, na rachadura do discurso, um fio que pode ser puxado, por onde isso fala. Se o significante pode ser lido, isso fala, mas n\u00e3o tem um saber, a verdade \u00e9 semi-dita, algo na ordem do enigma, do trope\u00e7o e que passa pela fala, no encadeamento de um significante com outro significante. O significante faz corte e nesse corte pode se dar a passagem do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com quem mesmo se fala numa an\u00e1lise? N\u00e3o \u00e9 pela via do <em>\u201ceuzinho\u201d <\/em>no eixo imagin\u00e1rio (a \u2013 a\u2019, eu \u2013 eu, eu \u2013 outro), mas pela via do Outro, que convoca o sujeito, sujeito que \u00e9 mudo, mas que sua verdade fala por meio do enigma, um semi-dizer, a decifrar. O inconsciente, lugar inacess\u00edvel, com leis pr\u00f3prias, d\u00e1 a ouvir o desejo, que \u00e9 o que desperta e orienta a nossa vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Texto escrito a prop\u00f3sito da jornada do dispositivo <em>Trabalho de Estudo dos<\/em> <em>Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica<\/em>, realizada na AEPM em junho de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como, na cadeia significante, de um significante (S1), a met\u00e1fora do sujeito, a outro significante (S2), a coisa freudiana, e s\u00f3 em retroa\u00e7\u00e3o, da coisa freudiana \u00e0 met\u00e1fora do sujeito, vem uma significa\u00e7\u00e3o? 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