{"id":344,"date":"2021-09-27T11:56:22","date_gmt":"2021-09-27T11:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=344"},"modified":"2022-08-21T23:30:52","modified_gmt":"2022-08-21T23:30:52","slug":"subversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2021\/09\/27\/subversao\/","title":{"rendered":"Subvers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"padding-left: 240px; text-align: justify;\">\u201cUma mol\u00e9cula disse sim a outra mol\u00e9cula e nasceu a vida. Mas, antes da pr\u00e9-hist\u00f3ria havia a pr\u00e9-hist\u00f3ria da pr\u00e9-hist\u00f3ria e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. N\u00e3o sei o qu\u00ea, mas sei que o universo jamais come\u00e7ou\u201d. <span style=\"text-align: right;\">\u00a0Clarice Lispector em A Hora da Estrela<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este escrito eu intitulei Subvers\u00e3o, um t\u00edtulo que me veio em sonho, s\u00f3 o que posso dizer. Mas, talvez fique mais claro \u00e0 medida que escrevo. Subvers\u00e3o no sentido do desejo e n\u00e3o no sentido pol\u00edtico, cabe diz\u00ea-lo. Isso talvez venha da ideia de que a posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica na Psican\u00e1lise \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta leitura e trabalho com o semin\u00e1rio <em>A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>, me detive no primeiro momento em um ponto que levei tamb\u00e9m para o trabalho na Oficina da Cl\u00ednica das Psicoses. Isto porque, ao menos em dois momentos espec\u00edficos, Lacan fala de paranoia. Entretanto, esse desenvolvimento ficou pelo caminho. Se volto a esse primeiro momento \u00e9 porque, mais ao final do trabalho com o Semin\u00e1rio, me ocorreu a lembran\u00e7a desse ponto. Lacan se det\u00e9m longamente sobre uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es que, em s\u00edntese, permite pensar no corte ou separa\u00e7\u00e3o de <em>a Coisa<\/em> e o que dela se apresenta para n\u00f3s uma vez que acerta na palavra. Digo s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es porque nesse ponto do Semin\u00e1rio, ele se refere n\u00e3o apenas \u00e0quelas nomeadas por Freud, tais como o recalque, a rejei\u00e7\u00e3o&#8230; Mas, tudo o que permite essa separa\u00e7\u00e3o e a articula\u00e7\u00e3o na palavra. Pois bem, me interessei pelo problema das identifica\u00e7\u00f5es ao pai, assim no plural, as identifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan situa no texto de Freud uma identifica\u00e7\u00e3o primeira ou prim\u00e1ria. \u00c9 o texto <em>Psicologia das Massas<\/em>. Lacan vai trabalhar com a no\u00e7\u00e3o de <em>Ideal do eu<\/em>. Lembro do Grafo do Desejo em que tem-se uma volta primeira, que apresenta o S barrado, o sujeito e o I(A). Volta, passagem&#8230; pela cadeia significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O semin\u00e1rio <em>A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em> tem muitas refer\u00eancias, mas preferi seguir essas identifica\u00e7\u00f5es. Entretanto, para segui-las, outra refer\u00eancia a Freud: a da Lei em <em>Mois\u00e9s e o Monote\u00edsmo<\/em> e sua volta, subvers\u00e3o a <em>Totem e Tabu<\/em>. O pai que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o, pai morto, <em>Nome-do-Pai<\/em>. N\u00e3o sei se estou conseguindo dizer isso. Mas, temos esse mito estabelecido por Freud que apresenta um paradoxo. Os filhos matam o pai para se submeter \u00e0 Lei. O mito de Mois\u00e9s restabelece o assassinato do pai e a institui\u00e7\u00e3o da Lei,\u00a0 mas Freud insiste no acontecimento. Estatuto de real, de realidade hist\u00f3rica. Tem-se a letra impressa na T\u00e1bua e tem-se essa insist\u00eancia na exist\u00eancia de Mois\u00e9s. De todo modo, o assassinato&#8230; O Mito de \u00c9dipo exige um crime, um criminoso. Com Lacan \u00e9 poss\u00edvel fazer isso passar em tr\u00eas registros: Real, Simb\u00f3lico e Imagin\u00e1rio. Identifica\u00e7\u00e3o ao pai, simboliza\u00e7\u00e3o pelo nome-do-pai&#8230; n\u00e3o sem esta \u201cvoca\u00e7\u00e3o para a neurose\u201d, estabelecida pela identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nos situamos no campo da neurose, das neuroses, \u00e9 preciso introduzir a Lei e a transgress\u00e3o, o crime, o assassinato do pai, o desejo incestuoso. N\u00e3o me parece bastar para situar os termos nos registros. Para ir adiante, n\u00e3o basta a sa\u00edda das identifica\u00e7\u00f5es que resulta nas forma\u00e7\u00f5es inconscientes. Por essa via, continuamos a falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se temos algu\u00e9m para endere\u00e7ar essa fala, creio \u2014 n\u00e3o \u00e9 uma certeza \u2014 que \u00e9 poss\u00edvel uma an\u00e1lise. Se for poss\u00edvel ir at\u00e9 o final da an\u00e1lise, Lacan nos diz que \u00e9 da\u00ed que resulta o analista. Minha hip\u00f3tese \u00e9 de que nesse ponto n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel suportar a fala, o que falou em n\u00f3s, em cada an\u00e1lise, mas a mudez (de a Coisa, <em>das Ding<\/em>). A falta de palavra. Observo que o Sujeito, o barrado, se apaga cada vez que aparece na fala.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Texto escrito a partir do trabalho realizado em 2020 na AEPM com o Semin\u00e1rio VII de Lacan: <em>A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cUma mol\u00e9cula disse sim a outra mol\u00e9cula e nasceu a vida. 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