{"id":394,"date":"2021-12-16T11:16:45","date_gmt":"2021-12-16T11:16:45","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=394"},"modified":"2022-08-21T23:22:15","modified_gmt":"2022-08-21T23:22:15","slug":"nomear-e-desconhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2021\/12\/16\/nomear-e-desconhecer\/","title":{"rendered":"Nomear \u00e9 desconhecer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Lacan diz que o &#8220;n\u00e3o&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma simples segunda inven\u00e7\u00e3o.\u00a0 Mostra que <em>&#8220;o momento da primeira conjuga\u00e7\u00e3o de uma emiss\u00e3o vocal com um signo&#8221;<\/em> tem a ver com o n\u00e3o. Lacan pergunta: <em>&#8220;o que h\u00e1 de mais destru\u00eddo e apagado que um objeto?&#8221;<\/em>. O objeto, para ser objeto, est\u00e1 perdido e separado das palavras, para se constituir objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Se \u00e9 do objeto que o tra\u00e7o emerge, \u00e9 algo do objeto que o tra\u00e7o ret\u00e9m: precisamente sua singularidade&#8221;<\/em>. O tra\u00e7o como consequ\u00eancia do apagamento do objeto. O tra\u00e7o ret\u00e9m algo do objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira nomea\u00e7\u00e3o seria como dizer um n\u00e3o \u00e0 coisa em si: a afirma\u00e7\u00e3o da coisa \u00e9 simult\u00e2nea \u00e0 sua nega\u00e7\u00e3o (afirmar \u00e9 negar). Lacan diz que A n\u00e3o \u00e9 A. B n\u00e3o \u00e9 &#8220;b\u00ea&#8221;. As letras n\u00e3o s\u00e3o os fonemas. Nesse sentido, o ato de falar, por si s\u00f3, e como um todo, seria inconsciente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan fala da rela\u00e7\u00e3o do objeto ao nascimento de algo que se chama o signo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objeto \u2013 tra\u00e7o \u2013 signo \u2013 escritura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;O momento em que alguma coisa est\u00e1 l\u00e1 para ser lida, lida com a linguagem, quando ainda n\u00e3o existe escritura. E \u00e9 pela invers\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o, e dessa rela\u00e7\u00e3o de leitura do signo, que pode nascer em seguida a escritura, na medida em que ela pode servir a conotar (ela, escritura) a fonematiza\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez possa se pensar que a nega\u00e7\u00e3o da coisa seria criar o pr\u00f3prio status de sua exist\u00eancia: nomear, com um nome que n\u00e3o \u00e9 ela mesma. Al\u00e9m do mais, qual seria mesmo a necessidade de afirmar que algo \u00e9 ou est\u00e1, n\u00e3o fosse a inacessibilidade \u00e0 coisa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomear \u00e9 desconhecer o objeto: fa\u00e7o rela\u00e7\u00e3o com o objeto atrav\u00e9s de um nome, que, por sua vez, \u00e9 fruto do ato retroativo de certific\u00e1-lo. A nomea\u00e7\u00e3o do objeto seria o pr\u00f3prio ato de refut\u00e1-lo, de desconhec\u00ea-lo, criando lugar para a destrui\u00e7\u00e3o do objeto entre as letras. Entre letras que o acolhem e n\u00e3o dizem que lugar de objeto \u00e9 no lugar de objeto. H\u00e1 a precipita\u00e7\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o. Isso tem chamado muito a minha aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objeto e tra\u00e7o s\u00f3 podem gerar signo atrav\u00e9s do ato de fala que, ap\u00f3s o desconhecimento da coisa e perda do objeto, pode ser lido como ato de algu\u00e9m.\u00a0 E o falante \u00e9 causado no mesmo tempo da impossibilidade do objeto, mergulhando no que \u00e9 palavra. E, assim, o ato de contar n\u00e3o seria um ato pessoal, mas de sujeito. Na origem, o desconhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunto-me: o falante, no que se apoia, \u00e9 identificado com o Significante que n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1? Ou seja, o falante \u00e9 identificado com o Significante que, por estar ausente, causa o enlace fonem\u00e1tico resultante entre objeto-tra\u00e7o-signo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan mostra que o nome pr\u00f3prio consegue enraizar o sujeito. O nome pr\u00f3prio seria um bilhete \u00fanico que d\u00e1 acesso a todo o parque? Algo que escapa da opera\u00e7\u00e3o entre objeto e tra\u00e7o e que traz o signo? Algo que, de alguma forma, se desviaria do apagamento do objeto? Acho isso muito dif\u00edcil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso me faz lembrar um pouco do esquema \u00f3tico e de que o sujeito (o sujeito) deve perder a si mesmo para o espelho: ele perde sua imagem para, em seguida, persegui-la. Enigma insol\u00favel. Pessoa e sujeito n\u00e3o podem se encontrar. Uma crueza, paradoxalmente cega e estampada, dessa perda que insiste em se fazer presente, intocada pelo tempo, apagada e t\u00e3o presente\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objeto \u2013 tra\u00e7o \u2013 signo \u2013 escritura \u2013 fonema \u2013 nome pr\u00f3prio \u2013 imagem.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Texto escrito para a Intersec\u00e7\u00e3o, encontro de trabalho entre a AEPM e o Cart\u00e9is Lacanianos, realizado em maio de 2021, a partir das elabora\u00e7\u00f5es do Semin\u00e1rio IX: <em>A identifica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lacan diz que o &#8220;n\u00e3o&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma simples segunda inven\u00e7\u00e3o.\u00a0 Mostra que &#8220;o momento da primeira conjuga\u00e7\u00e3o de uma emiss\u00e3o vocal com um signo&#8221; tem a ver com o n\u00e3o. Lacan pergunta: &#8220;o que h\u00e1 de mais destru\u00eddo e apagado que um objeto?&#8221;. 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