{"id":683,"date":"2022-09-24T12:19:41","date_gmt":"2022-09-24T12:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=683"},"modified":"2023-05-02T11:32:43","modified_gmt":"2023-05-02T11:32:43","slug":"a-causa-e-o-objeto-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2022\/09\/24\/a-causa-e-o-objeto-a\/","title":{"rendered":"A causa e o objeto a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; padding-left: 600px;\"><em>L\u00e1 onde sou causada,<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 600px;\"><em>Isso me determina,\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 600px;\"><em>Isso mexe, Isso se atravessa. <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 600px;\"><em>Ningu\u00e9m marca a batida.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que o objeto pequeno <em>a <\/em>ganha significa\u00e7\u00e3o de (-\u03c6) ?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan enfatiza que aquilo que organiza a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o mundo, com o Outro \u00e9 uma falta fundadora; em sua acuidade, n\u00e3o hesita em introduzir a\u00ed a quest\u00e3o da causa e faz dela o ponto nodal do inconsciente \u2013 aquilo que causa o sujeito, a causa do desejo. Nessa dire\u00e7\u00e3o, da rela\u00e7\u00e3o do desejo com a linguagem, nos conduz para a sua inven\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o, de modo rigoroso, estabelecendo neste mesmo movimento e, por seus efeitos, a dimens\u00e3o do objeto da psican\u00e1lise, do objeto <em>a<\/em>, mostrando sua incid\u00eancia na cl\u00ednica, naquilo que \u00e9 esse objeto que nos comanda, nos organiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma falta, um buraco e algo que vem oscilar no intervalo. \u00c9 nessa hi\u00e2ncia que algo acontece. No dom\u00ednio da causa, Lacan introduz a lei do significante, no lugar onde essa hi\u00e2ncia se produz pelo modo de desfalecimento, rachadura&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se produz nessa hi\u00e2ncia se apresenta como um achado que est\u00e1 sempre prestes a escapar de novo, instaurando a dimens\u00e3o da perda. Essa falta transformada em perda, isso \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do falo como (-\u03c6)? Bom, esse \u00e9 o caminho que fa\u00e7o agora, articulando-os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que essa falta que n\u00e3o pode faltar, presentificada a cada vez na enuncia\u00e7\u00e3o de algum ponto inesperado onde o sujeito se saca para logo se perder de novo, celebra esse ponto essencial da af\u00e2nise do sujeito. Esse ponto extremo<em>, \u201co ponto imagin\u00e1rio onde o ser do sujeito reside\u201d <\/em>e subitamente n\u00e3o pode s\u00ea-lo<em>. <\/em>(p.454)<em>. <\/em>\u00c9 um real articulado no simb\u00f3lico<em>, \u201c[&#8230;] o termo \u201cser\u201d, se ele quer dizer alguma coisa, [&#8230;], essa coisa \u00e9 o real, na medida em que se inscreve no simb\u00f3lico. \u201d<\/em> (p.408). Esse desconhecimento nos d\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o de que ele s\u00f3 est\u00e1 l\u00e1 nos intervalos, nos cortes. \u00c9 por isso que o objeto imagin\u00e1rio da fantasia em que ele procura se sustentar, \u00e9 assim estruturado. \u00c9 como corte, como intervalo que o sujeito se encontra no final de sua interroga\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse <img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-705\" src=\"https:\/\/aepm.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/s-barrado-2.jpg\" alt=\"\" width=\"9\" height=\"15\" \/>\u00a0na fantasia que Lacan vai chamar <em>\u201cde fenda, de hi\u00e2ncia, algo que, no real, \u00e9 ao mesmo tempo buraco e lampejo\u201d <\/em>(p.453).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse movimento, esse objeto que cai, o objeto <em>a<\/em> causa do desejo, esse resto, esse algo irredut\u00edvel n\u00e3o demand\u00e1vel, \u00e9 um efeito inevit\u00e1vel do funcionamento do significante. Por isso que o objeto <em>a<\/em> sempre, inexoravelmente, vai retornar, porque \u00e9 errante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, o que d\u00e1 o valor do objeto pequeno <em>a<\/em> \u00e9 uma san\u00e7\u00e3o puramente simb\u00f3lica, san\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria que o falo opera em sua fun\u00e7\u00e3o significante. Significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da perda irredut\u00edvel que faz dele objeto causa do desejo e, portanto, o objeto na fantasia como forma de corte em que o <em>a<\/em> mostra sua forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto fui remetida a uma frase de Lacan no semin\u00e1rio 10, <em>A Ang\u00fastia<\/em>, que me fisgou, que me interroga. Ele diz que a fantasia \u00e9 o <img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-705\" src=\"https:\/\/aepm.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/s-barrado-2.jpg\" alt=\"\" width=\"9\" height=\"15\" \/> numa certa rela\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o com <em>a<\/em>. Seria isso o \u00edndice de uma certa posi\u00e7\u00e3o do sujeito no desejo? A subjetividade focalizada na queda do falo?<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Texto escrito para a Jornada do Semin\u00e1rio na AEPM, ocorrida em junho de 2022, a partir do Semin\u00e1rio VI de Jacques Lacan: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 onde sou causada, Isso me determina,\u00a0 Isso mexe, Isso se atravessa. 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