{"id":956,"date":"2024-09-11T17:34:30","date_gmt":"2024-09-11T17:34:30","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=956"},"modified":"2024-09-11T17:34:30","modified_gmt":"2024-09-11T17:34:30","slug":"transferencia-nao-e-identificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2024\/09\/11\/transferencia-nao-e-identificacao\/","title":{"rendered":"Transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 identifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O analisante procura determinado analista por considerar que nesse h\u00e1 algo que pode o ajudar, retir\u00e1-lo de seu estado de sofrimento. Determinado analista? Determinado por um tra\u00e7o, tra\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os p\u00f3s-freudianos se arraigaram a um \u201ctrabalho anal\u00edtico\u201d pautado na rela\u00e7\u00e3o entre um eu ideal fraco e um eu ideal forte. Ficaram na rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade; da\u00ed acreditarem na contratransfer\u00eancia \u2013 o pr\u00f3prio palco das identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. Ficaram na rela\u00e7\u00e3o. Nada me vem que permita conceber algo de anal\u00edtico a\u00ed.<\/p>\n<p>Freud se deu conta de que o fato inconveniente que interrompeu o tratamento de Anna O. foi Breuer n\u00e3o suportar a transfer\u00eancia e, com isso, o sexual. E isso n\u00e3o por ser transfer\u00eancia positiva ou negativa \u2013 o que convenhamos Lacan mostrou n\u00e3o ser do que se trata. Quando h\u00e1 transfer\u00eancia, h\u00e1 o lugar do morto. Um morto que n\u00e3o joga e, ao mesmo tempo, faz toda a diferen\u00e7a. Coloca em quest\u00e3o o tra\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o do analisante.<\/p>\n<p>Transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 identifica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 poss\u00edvel a transfer\u00eancia sem identifica\u00e7\u00e3o? Sem um dos tr\u00eas tipos apontados por Freud? \u00c9 uma identifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 sem i(a), mas que, se h\u00e1 um analista a\u00ed, a an\u00e1lise mostrar\u00e1 o percurso retroativo do <em>$<\/em> ao I(A). Na mensagem invertida do paciente neur\u00f3tico, a fantasia sofrer\u00e1 um corte pelo objeto. O analista est\u00e1 no lugar do Ideal do Eu na an\u00e1lise, lugar vazio a partir do qual o analisante tem que se haver com a sua falta, a cada vez. Isso vai tornando dif\u00edcil buscar fechar o significante em algum significado.<\/p>\n<p>Psican\u00e1lise \u00e9 uma pr\u00e1xis, o que implica o tratamento do simb\u00f3lico pelo real. Freud fez muito. Contudo, termino \u2013 por enquanto \u2013 o meu trabalho com o Semin\u00e1rio VIII com o achado de que \u00e9 de Lacan a no\u00e7\u00e3o de Outro. Da outra cena on\u00edrica, Lacan escancarou o Outro como um lugar esburacado na neurose, que, em sua articula\u00e7\u00e3o ao objeto a \u2013 esse fur\u00e3o \u2013 faz furo n\u00e3o apenas no saber sabido. O saber inconsciente \u00e9 inteligente. N\u00e3o \u00e9 apreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Surge agora outra quest\u00e3o: a transfer\u00eancia \u00e9 a cada vez? Ela se renova em sua repeti\u00e7\u00e3o? H\u00e1 o amor. Lacan precisou ir ao \u201cBanquete\u201d para atestar que, na transfer\u00eancia, h\u00e1 o amor. Com o amor, h\u00e1 um pedido. <em>\u201cS\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d.<\/em> Frase que continuar\u00e1 enigm\u00e1tica. Que permane\u00e7a assim.<\/p>\n<p>Da transfer\u00eancia de amor \u00e0 transfer\u00eancia de trabalho. Em uma an\u00e1lise, n\u00e3o se trata de amor crist\u00e3o. Trata-se de desejo. Com o desejo, o Inconsciente enquanto discurso do Outro se desvela. Discurso que encontra outras cadeias na an\u00e1lise. As cadeias se rompem, sendo poss\u00edvel que aprisionem menos.<\/p>\n<p>Da identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia. Uma an\u00e1lise n\u00e3o oferece garantia. Possibilita uma alternativa. N\u00e3o \u00e9 pela identidade do analista, mas por sua alteridade.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Texto escrito para a Jornada de Cart\u00e9is em dezembro de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O analisante procura determinado analista por considerar que nesse h\u00e1 algo que pode o ajudar, retir\u00e1-lo de seu estado de sofrimento. Determinado analista? Determinado por um tra\u00e7o, tra\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o. Os p\u00f3s-freudianos se arraigaram a um \u201ctrabalho anal\u00edtico\u201d pautado na rela\u00e7\u00e3o entre um eu ideal fraco e um eu ideal forte. 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