{"id":959,"date":"2024-09-13T11:42:40","date_gmt":"2024-09-13T11:42:40","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=959"},"modified":"2024-09-13T17:12:53","modified_gmt":"2024-09-13T17:12:53","slug":"ler-freud-e-ler-lacan-nos-dias-de-hoje-na-aepm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2024\/09\/13\/ler-freud-e-ler-lacan-nos-dias-de-hoje-na-aepm\/","title":{"rendered":"Ler Freud e ler Lacan nos dias de hoje. Na AEPM."},"content":{"rendered":"<p>Um momento particularmente emblem\u00e1tico do nosso trabalho no Dispositivo <em>Ler Freud e ler Lacan nos dias de hoje<\/em> com o texto <em>Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> \u00a0foi quando nos encontramos com o trecho em que Freud nos lembra como viemos ao mundo: Entre urina e fezes nascemos. Algu\u00e9m complementou: Ningu\u00e9m \u00e9 flor que se cheire.<\/p>\n<p>Isso nos convocou a fazer nosso trabalho de leitura de um modo um pouco menos pretensioso. O <em>mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> n\u00e3o nos fala das mazelas de uma sociedade desajustada e neurotizante diante da qual portar\u00edamos a solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. Ele nos fala antes de como podemos interrogar com a psican\u00e1lise os nossos dias de ontem e de hoje: contando-nos nesse mal-estar, responsabilizando-nos por ele.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram poucos os momentos em que pudemos testemunhar esse movimento em que tentamos bancar o comentarista cr\u00edtico da sociedade e pudemos cair do cavalo no embalo pr\u00f3prio da leitura do texto. A psican\u00e1lise n\u00e3o admite que as belas almas permane\u00e7am belas.<\/p>\n<p>No texto, penso que pudemos entrever alguma coisa do que Lacan vai apontar como sendo estrutural: o mais de gozar. O que s\u00f3 se discerne registrando-se como perda do gozo, do que n\u00e3o se registra. O que divisamos nos exemplos freudianos do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que nada mais faz que deslocar para outro ponto nossa insatisfa\u00e7\u00e3o, faz lembrar o que Lacan chama de pr\u00e1ticas de recupera\u00e7\u00e3o. Pr\u00e1ticas em que somos engajados, o que inclui nossa marcha entusiasmada ou contrariada para o progresso cient\u00edfico. Tanto faz. Estamos at\u00e9 o talo nesse mal-estar que se denuncia na engenhosidade que empregamos para dilu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Na escrita que solicitamos aos participantes ao fim do nosso per\u00edodo de leitura n\u00e3o faltaram refer\u00eancias \u00e0 presen\u00e7a desse mal-estar ali no pr\u00f3prio andamento do dispositivo. Indica\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o tivemos sucesso em escamote\u00e1-lo. Melhor para o trabalho. Curioso que tamb\u00e9m n\u00e3o faltaram votos de que houvesse uma continuidade. De fato, foi estranho interromper a leitura sem ter conclu\u00eddo o texto. Ainda mais estranho porque isso era facilmente previs\u00edvel. Pensamos em prorrogar esse tempo, contudo houve a indica\u00e7\u00e3o, vinda da dire\u00e7\u00e3o dos grupos de leitura e estudo, de que era importante fazer valer o que havia sido proposto desde o in\u00edcio. \u00a0A in\u00e9rcia da libido da qual nos fala Freud no texto se mostra tamb\u00e9m a\u00ed, nesses nossos votos de que tudo continue.<\/p>\n<p>Uma institui\u00e7\u00e3o de psican\u00e1lise precisa funcionar analiticamente, \u00e9 o que Lacan sustentou at\u00e9 o fim. Como estar \u00e0 altura disso nesse trabalho que prop\u00f5e um acesso que n\u00e3o \u00e9, de antem\u00e3o, uma entrada? De que abertura se trata? Seja como for, ela exige algum tipo de fechamento. Para uma nova reabertura. Como? Foi o que precisei escrever para perguntar.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Texto escrito ap\u00f3s o encerramento do Dispositivo <em>Ler Freud e ler Lacan nos dias de hoje<\/em>, coordenado por M\u00e1rcio Clayton Costa e W\u00e2nia\u00a0 Silva de mar\u00e7o a junho de 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um momento particularmente emblem\u00e1tico do nosso trabalho no Dispositivo Ler Freud e ler Lacan nos dias de hoje com o texto Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o \u00a0foi quando nos encontramos com o trecho em que Freud nos lembra como viemos ao mundo: Entre urina e fezes nascemos. Algu\u00e9m complementou: Ningu\u00e9m \u00e9 flor que se cheire. 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