{"id":963,"date":"2024-09-13T16:46:08","date_gmt":"2024-09-13T16:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/aepm.com.br\/?p=963"},"modified":"2024-09-16T11:23:19","modified_gmt":"2024-09-16T11:23:19","slug":"quando-o-ceu-se-abre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/2024\/09\/13\/quando-o-ceu-se-abre\/","title":{"rendered":"Quando o C\u00e9u se abre"},"content":{"rendered":"<p>S\u00f3 se saberia do que existe. O que existe est\u00e1 sempre \u00e0 frente, \u00e0 espera da autentica\u00e7\u00e3o deste status. Do contr\u00e1rio, tudo j\u00e1 seria. Mas quase nada \u00e9. O que existe, est\u00e1 sempre \u00e0 frente, como promessa do que se vai saber. Ali, as coisas existiriam \u2013 s\u00f3 se eu soubesse\u2026 Ponto em que toda uma vida pode ser confundida com o que se vai saber.<\/p>\n<p>O que existe precisa estar longe. E quanto mais longe, mais linha o horizonte. Mas aquilo que tem exist\u00eancia \u00e9 aquilo que apago aqui, e que se torna profecia l\u00e1. E tem-se um caminho a percorrer, uma vida inteira para saber. Brincar de conhecer, para nunca ter que saber. Conhecimento n\u00e3o \u00e9 saber e o desejo de saber n\u00e3o nos conduz ao saber, nos diz Lacan nas primeiras p\u00e1ginas de <em>O Avesso da Psican\u00e1lise<\/em> (&#8230;<em>le d\u00e9sir de savoir ce n&#8217;est pas ce qui conduit au savoir<\/em>\u2026) (pag. 14 \u2013 vers\u00e3o Staferla). O horizonte tamb\u00e9m se afasta \u00e0 medida em que se anda, guardando o que n\u00e3o sei \u2013 o horizonte se recoloca. A gente nunca vai saber.<\/p>\n<p>\u00c9 forte a cren\u00e7a de que adio o encontro, e de que o Horizonte est\u00e1 no futuro (liga\u00e7\u00e3o entre o tempo e o espa\u00e7o, onde o espa\u00e7o se torna temporal). N\u00e3o quero saber que o imposs\u00edvel \u00e9 aqui. Se afasta o futuro da mesma forma que se \u00e9 empurrado do passado, para ser salvo exatamente onde o imposs\u00edvel \u00e9, aqui.<\/p>\n<p>Muitas coisas para saber! Multiplicadas adiante em coisas que devem ser sabidas. No que \u00e9 tomado como uma coincid\u00eancia, o horizonte est\u00e1 \u00e0 altura, ao alcance dos olhos. Por que o horizonte n\u00e3o est\u00e1 fora do alcance desses olhos? \u00c9 de onde se enxerga. Ele nos aguarda \u00e0 frente, nos guarda aqui. O mundo \u00e9 feito de horizonte. \u00c9 a prova, em uma linha distante e n\u00e3o escrita, de que n\u00e3o se quer saber. Deixe ele l\u00e1!<\/p>\n<p>Quando acontece de o horizonte n\u00e3o se renovar, o horizonte se aproxima e cai de cima, deixa de estar \u00e0 frente. Vem a tempestade, vem a aproxima\u00e7\u00e3o angustiante entre o Espa\u00e7o e o Temporal. S\u00f3 a chuva traz isso&#8230; at\u00e9 que&#8230; \u201c\u00e1guas passadas!\u201d O horizonte se recoloca, na chance renovada da ignor\u00e2ncia fundamental, da dist\u00e2ncia outra vez cheia das coisas que n\u00e3o se sabe, das maldades, das bondades, da arrog\u00e2ncia e pequenez daquilo que \u00e9 mera unidade. Promessa da vincula\u00e7\u00e3o a se cumprir entre a categoria do longe \u00e0 do depois, \u00e0s custas da salutar ignor\u00e2ncia, daquilo que acha que sabe.<\/p>\n<p>Quando o C\u00e9u se abre\u2026<em>&#8220;Ce manque d&#8217;oubli c&#8217;est la m\u00eame chose que le manque \u00e0 \u00eatre, car \u00eatre ce n&#8217;est rien d&#8217;autre<\/em><em> que d&#8217;oublier&#8221; (<\/em>Essa falta de esquecimento \u00e9 a mesma coisa que a <em>falta a ser<\/em>, porque ser n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o esquecer). (Semin\u00e1rio XVII, p. 30 &#8211; vers\u00e3o Staferla)<\/p>\n<p><em>\u2026&#8221;c&#8217;est que pas trop, mais juste assez, il m&#8217;arrive de vous faire honte&#8221; <\/em>(\u00c9 que, <em>n\u00e3o muito, mas s\u00f3 o suficiente<\/em><strong>, <\/strong>hoje me acontece de fazer vergonha a voc\u00eas (Semin\u00e1rio XVII, p.129 \u2013 vers\u00e3o Staferla).<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Texto escrito a partir do dispositivo <em>Trabalho Preparat\u00f3rio para o Semin\u00e1rio de Ver\u00e3o da ALI &#8211; 2024<\/em>, coordenado por Val\u00e9ria Lameira e Virginia Guilhon.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 se saberia do que existe. O que existe est\u00e1 sempre \u00e0 frente, \u00e0 espera da autentica\u00e7\u00e3o deste status. Do contr\u00e1rio, tudo j\u00e1 seria. Mas quase nada \u00e9. O que existe, est\u00e1 sempre \u00e0 frente, como promessa do que se vai saber. Ali, as coisas existiriam \u2013 s\u00f3 se eu soubesse\u2026 Ponto em que toda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13,12],"tags":[107,108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=963"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":985,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963\/revisions\/985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aepm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}